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Texto de uma amiga.

Esses dias pensei em nós dois.
Sabe que fazia tempo que eu não pensava nisso?

Os meses passaram tão rápido que eu confesso que me senti um macho
típico da sociedade na qual vivemos. Entreguei-me a boemia e me vesti
de amores adultérios, sem critério fui aonde pude. Explorei estradas,
sonhos alheios, mexi com sentimento de metade dos canalhas que já me
fizeram sofrer. É… não foram poucos. Nem os homens (muito menos os
canalhas) nem as mulheres, nem as bebidas, os cigarros, e tudo mais…
vício era o meu nome. E dor a minha imagem. E quem disse que eu me
importava? O importante, meu bem, era continuar em pé na estrada.

Se você soubesse tudo que fiz… Será que ainda me olharia com aqueles
olhos de nada? De quem diz que ama, mas não demonstra? Será que me
amaria de verdade? É que lembrei de nós dois, sabe? Depois de tanto
correr pelos mundos alheios, resolvi andar pelo meu e descobri que não
resta mais nada em mim: nem poesia, nem sonhos, nem esperança, só
vícios, essa tosse que não para, essa pele desidratada e o amor que te
tenho [que talvez seja o maior de todos].

Aonde você anda, amor? Sei que demorei pra te procurar, mas eu resolvi
vir aqui: percorri todo o caminho que distanciava sua realidade da
minha, te procurei por aqueles bares que freqüentávamos para
reclamarmos da vida, andei pelas ruas que, em cada ponto, abrigam ou
uma grande discussão ou um momento nosso de paixão exacerbada, quase
criminosa. Cheguei ao limite: subi as escadas que já ouviram tanto,
mas tanto o meu gozo ligeiro, o combinar do cheiro do amor do nosso
corpo. E agora aqui na sua porta e nada de você abrir. Antes eu
chegava ao elevador e você já sabia que eu estava aqui. Não havia
campainhas, nem ouvidos desacostumados com os meus passos, muito menos
olfato que sentisse outro cheiro, senão o meu.

A campainha… toco?

Alguém abre a porta.

Pelo menos não é uma mulher!

O ar que vem da tua casa não parece mais ter teu cheiro. Confesso que
o nó na garganta me impede de dizer qualquer coisa. Olho pro senhor
que abre a porta e que tenho recordação pequena da sua imagem. A
lágrima que cai no meu rosto parece espelhada também na dele. Por que?

Medo. É o que eu sinto e que eu não sentia desde o primeiro dia que me
vi longe de você. E desespero também. Continuo sem falar nada, o
senhor abre espaço para eu entrar. No segundo passo, grito: João, teu
nome. Era só o corpo dentro do caixão e os sonhos que construí
contigo. Suicídio.


Carol Barbosa