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Arquivo para outubro, 2011

“Morte – Work In Progress”


Folhas Secas

É tão fácil perceber as pessoas que gostam de você pelo que você é e não pelo que você aparenta;

Como pode uma pessoa que nunca te viu pessoalmente, sentiu seu cheiro, decifrou cada sorriso, cada gesto, distinguiu cada intenção, não sabe seus gostos, desejos, manias, a hora de falar, calar… Dizer que te ama? Ela não te ama, ela ama o que você aparenta!

Sozinho, sossegado, pensativo…

O que passa pela sua cabeça? Agindo feito louco.

Se prende ao egoísmo, se agarra a vaidade, são inevitáveis as consequências do medo.

Queria que fosse um sonho,

Seu toque fosse imaginação,

Tudo não passasse de desejo e vontade,

Se conversar não nos fosse interessante…

Se a futilidade fosse a real situação.

Prende-se em casa como quem não tem saída

E não consegue enxergar nada

Tudo é bonito e ruim do lado de fora, mas não quer entender

Confuso e sem saber o que fazer

Levanta da cama, leva até a porta, querendo trazer de volta

Ensaia um “até logo”, um abraço, um beijo

Enquanto não passa de um aperto no peito

Suas palavras ecoam por todo meu corpo e me transbordam de saudade

O que está acontecendo comigo?

Circula pela casa sem perceber que não sai do lugar

Tudo volta, repete, incomoda e ele não para pra pensar

Prefere continuar enrolado

Não sabe o dom que ele tem pra solucionar

Nem é possível com suas mãos ocupadas, essa boca que não sai do corpo dele e o cheiro da sua roupa que não sai da casa

Vontade de beijar e ao mesmo tempo, que beije outros e esqueça

Finge que está tudo bem

Verifica se está tudo no lugar

Sabe que está inquieto pela excitação

E não sabe quando vai acalmar

Não sabe se lava as roupas que deixou, não tem ideia

É apenas meticuloso

E sabe que não se lavam lembranças

Ele é louco

Está pelos ares e ele permanece na casa feito um pássaro

Quer esse veneno e essa cura que não sai do corpo

Ele que já saiu, mas acredito que está

Permanece em casa, escreve

E tem um pássaro que lhe põem em conexão com o universo

Se fosse só um sonho…

Alex Felippe, 29/09/11 às 02h45

(inspirado no texto de Elisa Lucinda)